domingo, 3 de abril de 2011

Projeto Meu Barracão.

O projeto Meu Barracão é desenvolvido com a intenção de criar novas propostas para os programas governamentais de Conjuntos de Habitação de Baixo Custo ofertados por programas Municipais e Federais, como o Minha Casa, Minha Vida. Estes projetos em vigor possuem muitos problemas projetuais e executivos que tornam a habitação muitas vezes inadequada para o usuário. Sendo assim, foram realizadas pesquisas na área para estudar melhor os problemas e buscar soluções que melhorem a qualidade da habitação para as classes inferiores, sem elevar o custo da obra.
O primeiro estudo feito foi prático de Análise Pós-Ocupação (postado abaixo), o segundo trata-se de estudo de casos de espaços flexíveis, mobiliário flexível, materiais e técnicas construtivas que viabilizem a obra através da racionalização desta, gerando uma maior agilidade de construção e um desperdício reduzido de materiais, pesquisas sobre como pensar o espaço e suas funções, a sobreposição das funções e o aproveitamento máximo deste espaço para estas diversas funções, que nem sempre acontecem simultaneamente, levantamento das necessidades da habitação e uma busca por novas formas de morar, fugindo da tradicional repartição tri-partida.
Para pensar o espaço, é necessário traçar as premissas do projeto. Uma vez que as premissas são a racionalização da obra e a sustentabilidade aliada com o conforto ambiental, não há como separar as questões técnicas e construtivas da etapa projetual. Para se pensar no todo, tem-se também que pensar nos detalhes, tudo ao mesmo tempo, de forma que para o anteprojeto se faça o mínimo de alterações projetuais possíveis.
E desta maneira a semente vai brotando...

Estudo de Casos

Os estudos de casos para o projeto Meu Barracão envolve tanto estudo de projetos flexíveis quanto de mobiliário com multipla função. Partindo do princípio que flexibilidade não é somente um espaço que se abre ou se modifica enquanto arquitetura, podendo ser um espaço rígido, mas que atende funções diferentes em momentos diferentes, porém, no mesmo espaço, dependedo da necessidade. Sendo assim, foram encontrados os seguintes objetos de estudo:


Cama que vira mesa de estudos





Intermodal - Projetos em reuso de containers

Casas minusculas
Mesa de centro com estocagem


Mesa flexível



Casa de 175m² que custou 100mil reais

Sofá cama


Beliche Retrátil


Bancada de café Retrátil


Casa modular

Meu barracão - Estudo Preliminar

Após alguns estudos de forma, defini-se que a melhor forma para organizar o espaço é em forma retangular. Assim, é feito um estudo de manchas de funções dentro dos espaços. Lembrando que um espaço exerce diversas funções, estas cores se misturam onde seria um "divisor de águas". A área do banheiro divide as áreas sociais com a área íntima, criando dois pequenos corredores, facilitando assim uma expansão futura.

Posterior à este processo, é feito o cálculo das placas do material a ser utilizado no projeto. Foram calculados tanto as placas cimentícias quanto as placas de OSB para o estudo. Os cálculos têm como finalidade da máxima racionalização da obra, com disperdício mínimo.



Pensando em um maior aproveitamento do material, no caso de corte, pensa-se no maior uso das peças, no caso abaixo, um estudo da dimensão da chapa e da angulação do corte para definir a inclinação do telhado, de forma a aproveitar melhor a peça.

Novamente em função da dimensão das placas, o dimensionamento o banheiro.


Estudo sobre encaixe de canto, de forma a não ultrapassar em nenhuma das faces (interna ou externa) a dimensão da placa, não necessitando do corte da peça.


No corte abaixo, um estudo sobre o aproveitamento da água da chuva sem necessitar de bombeamento para o reservatório, onde este já encontra-se em um ponto alto e a coleta por calha desta água já escoa para o reservatório por gravidade. Além de um estudo de ventilação do banheiro, que fica situado no interior, sem face extrerna. o método de ventilação é conhecido como ventilação sifonada.


Abaixo, outro modo de pensar a ventilação do banheiro, porém, equivocado.


Forma de encaixe adotado nos cantos.


Detalhando a área de higiene e cozinha, que por economia, dividem a mesma parece úmida.


Detalhamento das áreas da cozinha + área de serviço.

Estudo de fundações tornando o edifício independente do terreno.


Estudo de insolação.


Representações em cad.


Estudo de Casos e referências Bibliográficas

Pesquisando sobre residências com poucos metros quadrados, materiais, projeto flexíveis, mobiliário fléxiveis, dentre outros, consegui umas referências projetuais bem legais para o projeto do exercício 01. Aqui vão os links pra quem quiser dar uma bisbilhotada:

http://smallspaceliving.blogspot.com/search/label/Architecture
http://intermodaldesign.wordpress.com/
http://hivemodular.terapad.com/index.cfm?fa=contentNews.newsDetails&newsID=156334&from=list&directoryId=11860
http://www.intermodal-design.com/index.html
http://smallspaceliving.blogspot.com/2008/05/small-space-prefab-italian-style-joshua.html
http://momoge.com/trends/folding-tables/
http://chenseon.blogspot.com/
http://www.wawa.co.uk/ottoman.html
http://www.clei.co.uk/clei/penelope.htm#
http://casa.abril.com.br/materias/casas/casa-175-m-custou-apenas-r-100-mil-619419.shtml#1
http://www.marcosacayaba.arq.br/lista.projeto.chain?id=71
http://www.simplydecoration.com/low-table-with-hidden-storage-space-13026.php/

Também em prol do aprimoramento do pensar na habitação, e seguindo as dicas das professoras, vou aos poucos lendo algo sobre o assunto:
http://infohabitar.blogspot.com/2007/01/estratgias-de-flexibilidade-na.html
Tramontano, Marcelo. Habitação Moderna: A Construção de um Conceito. EESC - USP. 1993

Isto é um pouco do que foi pesquisado. Alguns links foram perdidos ou não salvos, mas já dá pra ter ma noção do caminho.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Análise Pós Ocupação

Para a realização do questionário sobre a avaliação pós-ocupação foi escolhido um conjunto habitacional do  bairro Jardim Holanda em Uberlândia construído no final de 2008 e início de 2009. A partir de análises do local, das casas e dos próprios moradores podemos identificar diversas características da população da região.
Planta de Localização do Conjunto na cidade - Fonte: http://maps.google.com.br/ (foto original)

O primeiro ponto de destaque foi observado quando percorremos o bairro. A ocupação dele gira em torno dos 2,5 a 3 anos, e hoje, praticamente todas as casas estão muradas e/ou sofreram modificações de ampliação. Poucas não tem muros, e nas que ainda não foram modificadas, é possível encontrar pilhas de tijolos, mostrando que os moradores já estão adquirindo meios de possibilitar a expansão desta. 

Fotos da Construção do Conjunto Habitacional Jardim das Palmeiras. Fonte:
http://www.uberlandia.mg.gov.br/noticia.php?id=194

As residências possuem 53,00m² distribuídos em três quartos, corredor, banheiro, sala, cozinha e área de serviço. Dentro do terreno, elas estão parcialmente centralizadas, configurando um espaço com afastamentos laterais que possibilatam a ampliação das mesmas. A população, embora esteja insatisfeita com alguns aspectos da residência, está satisfeita no geral. As reclamações são pontuais e para eles, passíveis de serem contornadas com o tempo.


Planta de situação no terreno

Um ponto curioso na região, era o agrupamento de diversas residências, não muradas, mas com um muro passando por todas elas, juntamente com uma portaria. Diversos “condomínios fechados” foram criados na região, porém não houve a chance de entrevistar os moradores destas residências para descobrir suas motivações.

Outro fato também curioso é que as casas, como eram muradas, tinham interfones. Porém em muitas destas, o interfone ainda não estava  instalado, dificultando o contato destas com o exterior. Algumas casas nem possuíam portão para “pedestres”, tendo apenas o portão de automóvel, também sem interruptor ou campainha.


QUESTIONÁRIO DE AVALIAÇÃO PÓS-OCUPAÇÃO 

             Com relação aos questionários aplicados pelo grupo, podemos estabelecer algumas observações e conclusões:

- Questionário respondido em maior quantidade por mulheres;
- Faixa etária média: 26 a 35 anos;
- Todos os entrevistados são naturais de Minas Gerais;
- Grau de escolaridade médio: ensino médio completo;
- Em todos os casos a habitação era própria;
- A tipologia familiar, em grande parte, era nuclear;
- Salário médio dos moradores: Entre R$ 1.201,00 e R$ 1.920,00



Em nenhuma das residências trabalham empregadas ou diaristas;
- Em média, todos os moradores têm equipamentos;
- O lugar que os moradores mais gostam de ficar sozinho é o quarto;
- O grau de satisfação é geralmente bom, com resalva para ruídos, acabamentos, isolamentos distribuição espacial e tamanho dos ambientes;
- Em todos os casos a habitação era própria;
- A tipologia familiar, em grande parte, era nuclear;







 - SALA : Assistir TV - Permanência de 5h a 7h por dia;


 - QUARTO: Dormir / Vestir - Permanência até 1h por dia;



  - BANHEIRO : Higiene - Permanência de até 1h por dia;




 - COZINHA : Cozinhar - Permanência de 1h a 3h por dia;



Entre as reclamações mais frequentes que encontramos, foram relativas a qualidade do piso (sempre haviam planos para trocas destes), o tamanho da sala, uma área de serviço muito pequena, substituída por uma lavadora de roupas e a necessidade de instalar um box no banheiro para o chuveiro.

A vida dos moradores se da na sala, é onde comem e realizam atividades de lazer, que consistem basicamente em assistir TV ou algum filme, por meio de aparelho de DVD. Os quartos são usados apenas para dormir, e o banheiro, higiene pessoal. A cozinha só permite ser usada para o preparo de alimentos, e normalmente conta com pia, fogão e geladeira. Alguns possuem aparelho de micro ondas.  
Conjunto Habitacional Jardim das Palmeiras - Uberlândia/MG. Fonte:
http://www.uberlandia.mg.gov.br/noticia.php?id=2064

Quando questionávamos sobre a casa e a disposição dos cômodos, a maioria se mostrou satisfeito. Não compreendiam muito bem quando explicávamos sobre cômodos flexíveis, mas um morador se interessou bastante nas explicações dadas por mobílias multifuncionais, como camas escamoteáveis. Concluímos que talvez por motivos pessoais e de necessidade, os moradores estejam sim satisfeitos com a residência que lhes é oferecida, mas talvez também porque não conhecem outras alternativas sobre outro tipo de divisão espacial. É importante que, além do trabalho arquitetônico, exista um trabalho social para explicar e conscientizar a população alvo sobre os novos tipos residenciais e as vantagens que estes podem oferecer à vida doméstica.

             O bairro não oferece nenhuma opção pública de lazer. Não existem praças, quadras, nem playgrounds na região. A única opção é um clube, no qual é necessário pagamento para frequentação. Graças a isso, algumas famílias não tem opção de lazer no bairro, pois preferem não pagar as mensalidades ou ações destes. Embora não abordado no questionário, todos os entrevistados gostariam que além de praças ou quadras públicas, uma escola e creche também fossem implantadas na região.


Acessibilidade. Fonte: http://pierojornalista.blogspot.com/2009/06/desabafo-de-um-jornalista-cadeirante.html


Em um dos questionários aplicados, nos deparamos com um morador, chefe de família, com limitações físicas e que vive entre as muletas e a cadeira de rodas. No programa da prefeitura os deficientes físicos em geral têm prioridade na distribuição das casas, porém, as necessidades especiais de nada surtem efeito quando se trata do projeto. A mesma tipologia de casa é entregue a uma pessoa sem deficiência e a uma com deficiência. Não há preocupação em relação à acessibilidade dos moradores.

Os outros entrevistados, pessoas sem limitações físicas, reclamaram das dimensões da casa, dos cômodos como cozinha, lavanderia e banheiro, principalmente. Reclamaram na disposição dos móveis, porém, estavam satisfeitos com a iluminação e ventilação naturais do espaço. Nota-se que se trata de fato de casas dentro do sistema de repartição tripartidite com cômodos com sobreposição de funções. 

Se o mínimo é máximo para os minimalistas, esta regra não se aplica ao nosso caso de estudo. Apesar de os moradores reclamarem por mais espaço em suas casas, este não é o maior problema. O defeito está no projeto de má qualidade executado pela prefeitura, e assim é na maioria dos programas de casas de baixo custo voltados para uma população de baixa renda. Porém, com um mesmo orçamento, mas materiais diferentes e um projeto de qualidade, essas história mudará bastante, e para melhor.